Uma publicação em uma rede social afirma que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estaria mudando o estado de votação de eleitores às vésperas do segundo turno das eleições de 2026, o que poderia impedir milhares de pessoas de votar. Como exemplo, os conteúdos compartilham um vídeo da ex-participante do Big Brother Brasil Gizelly Bicalho, que relatou ter encontrado informações do Espírito Santo ao consultar o aplicativo e-Título, apesar de ter votado em São Paulo no primeiro turno. A alegação mistura mudanças reais nos locais de votação com uma conclusão que não foi comprovada.
A Justiça Eleitoral confirmou que houve alterações pontuais nos endereços de locais de votação para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Entretanto, essas mudanças não significam, por si só, que o domicílio eleitoral de pessoas tenha sido transferido de um estado para outro. No caso de Gizelly, a Justiça Eleitoral informou que o cadastro dela continuava regular em São Paulo.
O que a apuração encontrou
Em publicação de 16 de outubro de 2026, atualizada em 18 de outubro, o TSE explicou que alguns locais de votação tiveram seus endereços alterados para o segundo turno. Entre os motivos estavam reformas em prédios públicos, problemas de acessibilidade, danos provocados por chuvas e condições que poderiam comprometer a segurança de eleitores e mesários.
Segundo o tribunal, as mudanças são decididas pelas zonas eleitorais e pelos respectivos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), que avaliam as condições dos locais de votação. O TSE esclareceu que essas alterações não são determinadas de forma centralizada pelo tribunal superior.
Em manifestação publicada em 21 de outubro, o presidente do TSE também informou que o número de locais de votação com endereços alterados para o segundo turno foi 94% menor que o registrado entre os dois turnos de 2022. O tribunal destacou que os números ainda poderiam ser atualizados diante de situações que exigissem novas mudanças.
Esses dados confirmam a existência de alterações administrativas nos endereços de votação, mas não demonstram uma transferência generalizada de eleitores entre estados nem uma ação destinada a impedir o exercício do voto.
O que aconteceu no caso de Gizelly Bicalho
No vídeo que passou a circular nas redes sociais, Gizelly afirma que transferiu seu título eleitoral do Espírito Santo para São Paulo e votou normalmente na capital paulista no primeiro turno. Ao consultar o aplicativo antes da segunda votação, ela disse ter encontrado informações que indicavam um local relacionado ao município de Muniz Freire, no Espírito Santo.
Após a repercussão, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou que a transferência eleitoral da influenciadora, realizada em 6 de maio de 2026, continuava registrada no sistema da Justiça Eleitoral. A verificação da 408ª Zona Eleitoral, no Jardim São Luís, confirmou que ela permanecia habilitada a votar em São Paulo no segundo turno.
Em manifestação conjunta reproduzida pela imprensa, o TSE e o TRE-SP esclareceram que a alegação de que o domicílio eleitoral de Gizelly havia sido transferido novamente para o Espírito Santo não correspondia ao cadastro oficial.
Segundo a explicação dos órgãos, a influenciadora havia consultado a tela inicial do e-Título e interpretado as informações exibidas como uma alteração do local de votação. A orientação da Justiça Eleitoral foi realizar a consulta pela opção “Onde votar” e manter o aplicativo atualizado.
A manifestação sobre o caso individual não comprova, por si só, que todas as possíveis divergências relatadas por outros eleitores tenham a mesma origem. Cada situação precisa ser conferida nos registros oficiais.
Há provas de que milhares de eleitores foram transferidos de estado?
As fontes consultadas confirmam mudanças nos endereços de alguns locais de votação, mas não apresentam evidências de uma operação para transferir em massa o domicílio eleitoral de pessoas entre estados ou impedir milhares de eleitores de participar do segundo turno.
É importante distinguir a mudança do endereço de um local de votação da transferência do domicílio eleitoral. No primeiro caso, a seção passa a funcionar em outro prédio, conforme decisão da Justiça Eleitoral. No segundo, há uma alteração no município em que o eleitor está registrado para votar.
A existência de mudanças de endereço não comprova que eleitores tenham sido enviados a outros estados sem autorização. Da mesma forma, o relato individual de uma divergência na consulta do aplicativo não é suficiente para demonstrar uma falha generalizada.
Para sustentar a alegação de que milhares de pessoas foram impedidas de votar por mudanças irregulares de estado, seriam necessárias evidências adicionais, como registros eleitorais e confirmações oficiais sobre a extensão do problema. As fontes consultadas não apresentam essas provas.
Como consultar o local de votação
A Justiça Eleitoral orienta que os eleitores confirmem o endereço da seção antes de sair de casa. No aplicativo e-Título, a consulta deve ser realizada pela opção “Onde votar”, e não apenas pela tela inicial.
Também é possível conferir o endereço pelo Autoatendimento Eleitoral do TSE. Caso exista alguma divergência, o eleitor deve procurar a zona eleitoral responsável para esclarecer a situação antes de concluir que houve uma alteração irregular.
A recomendação vale especialmente para quem encontrou informações diferentes em publicações nas redes sociais ou em consultas digitais. A conferência nos canais oficiais permite verificar os dados efetivamente registrados para cada eleitor.
Veredito final
Por meio dessa apuração, o SeAlui classifica o conteúdo como Meio Contado. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A informação tem um fundo de verdade, mas foi aumentada, distorcida ou tirada de contexto para enganar você. Presta atenção nos detalhes!
Fontes consultadas
- Tribunal Superior Eleitoral. Entenda por que a Justiça Eleitoral trocou o endereço de algumas seções para o segundo turno. Publicado em 16 de outubro de 2026 e atualizado em 18 de outubro.
- Tribunal Superior Eleitoral. Número de locais de votação que sofreram alterações cai 94% em relação a 2022. Publicado em 21 de outubro de 2026.
- Rádio Itatiaia. Ex-BBB Gizelly Bicalho denuncia mudança de local de votação no segundo turno; TSE nega. Publicado em 24 de outubro de 2026, com reprodução da manifestação atribuída ao TSE e ao TRE-SP.
